Pedrinho Matador: o Maior Serial Killer do Brasil Viveu Livre — e Morreu como Viveu

Ele foi condenado a mais de 130 anos de prisão. Cumpriu 42. Saiu em 2018, abriu um canal no YouTube comentando crimes alheios e chegou a ter mais de 240 mil inscritos. Em 5 de março de 2023, foi assassinado a tiros e degolado numa calçada de Mogi das Cruzes, em plena luz do dia, por homens encapuzados. Os responsáveis seguem sem condenação. Pedro Rodrigues Filho, o Pedrinho Matador, foi o maior serial killer da história do Brasil — e sua trajetória, do primeiro crime aos 13 anos até a morte violenta aos 68, é também a história de um sistema que não soube o que fazer com ele nem vivo nem morto.
O primeiro crime: 13 anos e um moedor de cana
Pedro Rodrigues Filho, nasceu em 29 de outubro de 1954, em Santa Rita do Sapucaí, Minas Gerais. A infância foi marcada por violência doméstica severa — seu pai espancava a mãe com regularidade, e o jovem Pedro cresceu num ambiente onde a brutalidade era parte da rotina familiar.
Segundo o próprio Pedrinho, seu primeiro crime aconteceu aos 13 anos: após uma briga com um primo mais velho, teria o empurrado num moedor de cana e depois o matado com um facão. Não há registro oficial confirmando esse episódio específico — mas é a narrativa que ele próprio repetiu em entrevistas ao longo da vida. O que está documentado é que, aos 14 anos, matou o vice-prefeito de Alfenas, Minas Gerais, que havia demitido seu pai injustamente do cargo de guarda municipal. Foi o primeiro crime com registro formal.
Fugiu para Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, onde começou a atuar no tráfico de drogas. Conheceu uma mulher chamada Botinha e assumiu as atividades criminosas do ex-companheiro dela. Quando Botinha foi morta pela polícia — estava grávida —, algo mudou em Pedrinho. Ele diria, anos depois, que a partir daquele momento passou a matar com mais determinação.
71 homicídios confirmados — e a conta que ele mesmo fazia
Pedrinho foi preso em 1973, aos 18 anos, após acumular uma série de homicídios e roubos. Condenado a mais de 128 anos de prisão, o artigo 75 do Código Penal então vigente limitava o cumprimento efetivo a 30 anos — regra que ele mesmo citaria em entrevistas como a única limitação que o sistema impôs à sua liberdade.
Mas os crimes não pararam com a prisão. Pedrinho matou dentro dos presídios por décadas — outros detentos, principalmente aqueles condenados por estupro ou crimes contra crianças, que ele dizia não suportar. “Já matou na rua, no refeitório, na cela, no pátio e até no camburão”, registrou a revista Época. Chegou a matar algemado, durante uma transferência entre unidades.
Aos 20 anos, dentro da cadeia, matou o próprio pai. Soube que o pai havia esfaqueado sua mãe 21 vezes. Deu 22 facadas nele. “Ele deu 21 na minha mãe, então eu dei 22”, explicou, sem hesitação, em entrevista posterior.
O total de homicídios pelos quais foi formalmente condenado chegou a 71. O próprio Pedrinho afirmava ter matado mais de 100 pessoas — número que nunca foi confirmado nem refutado com precisão pela Justiça.
O sistema que não sabia o que fazer com ele
A trajetória de Pedrinho Matador expõe uma contradição estrutural do sistema penal brasileiro que se tornaria tema nacional quando o Maníaco do Parque enfrentou a mesma questão décadas depois: o que fazer com um condenado que cumpriu o máximo legal, mas que especialistas consideram ainda perigoso?
Pedrinho foi solto em 2007 após cumprir os 30 anos máximos previstos na lei da época. Mas foi rapidamente preso novamente — condenado por participação em rebelião e outros crimes cometidos após a soltura. Cumpriu mais 8 anos. Em 2018, com 63 anos, saiu definitivamente.
Nenhuma avaliação psicológica formal de reinserção social foi amplamente documentada. Nenhum programa de acompanhamento pós-prisão foi publicamente registrado. O Estado simplesmente abriu o portão.
O YouTuber que comentava crimes — e virou personagem midiático
O que aconteceu depois da soltura foi, no mínimo, desconcertante. Pedrinho Matador abriu um canal no YouTube chamado 2P Entretenimento, onde comentava casos criminais com a autoridade de quem conhecia o mundo do crime por dentro. Acumulou mais de 242 mil inscritos e 36 milhões de visualizações. Participou de podcasts, deu entrevistas, escreveu uma biografia. Dizia não ser um monstro — se via como justiceiro.
Numa das entrevistas mais comentadas, afirmou: “Não tinha mais esperança, já estava acostumado. Matar mais um ou dois não fazia diferença.” Era a mesma lógica que havia carregado por décadas — e que o sistema nunca conseguiu alterar, por falta de tratamento ou por incapacidade institucional.
A morte na calçada: degolado à luz do dia
Na manhã de 5 de março de 2023, Pedrinho Matador foi assassinado no bairro Ponte Grande, em Mogi das Cruzes. Homens encapuzados atiraram nele na rua e, em seguida, o degolaram. Tinha 68 anos.
A morte de um dos criminosos mais famosos do Brasil aconteceu numa calçada, à luz do dia, sem resistência documentada. Fontes policiais apontaram a provável participação de membros do Primeiro Comando da Capital — o PCC — como principal linha de investigação, sugerindo um acerto de contas no mundo do crime. Até novembro de 2023, nenhum dos suspeitos havia sido preso, embora a Justiça tenha decretado ao menos uma prisão preventiva.
O homem que passou 42 anos preso pelo Estado morreu numa rua de Mogi das Cruzes sem que ninguém ao redor fosse responsabilizado com a mesma rapidez.
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O legado perturbador
Pedrinho Matador não foi apenas um criminoso. Foi um espelho do que acontece quando um sistema penal condena, encarcera e libera sem tratar — e quando a sociedade, ao mesmo tempo, fascina-se com o personagem a ponto de transformá-lo em criador de conteúdo.
Sua história levanta questões que o Brasil ainda não respondeu: o que acontece com pessoas que cometem crimes violentos desde a adolescência, sem intervenção efetiva? O que significa “cumprir a pena” quando o crime continua dentro da prisão? E o que diz sobre nós o fato de que um homem que matou mais de 70 pessoas chegou a ter 242 mil seguidores no YouTube?
E você, o que acha da trajetória de Pedrinho Matador — é a história de um monstro, de um sistema falho, ou das duas coisas ao mesmo tempo? Deixe nos comentários, com respeito às vítimas e à seriedade do tema.
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Este artigo baseia-se em decisões judiciais, declarações públicas do próprio Pedro Rodrigues Filho e cobertura jornalística amplamente documentada. Relato factual de domínio público.
