|

O Assassino do Zodíaco: o Criminoso que Desafiou a Polícia por Décadas — e Nunca Foi Identificado

Ele escolhia as vítimas. Escolhia o momento. E depois ligava para a polícia para assumir a autoria. Mandava cartas para os jornais com criptogramas e prometia mais mortes se não fossem publicadas. Afirmou ter matado 37 pessoas. A polícia confirmou cinco. Mais de 2.500 nomes já foram levantados como suspeitos. Nenhum foi provado. O Assassino do Zodíaco é considerado o caso de assassinato em série não resolvido mais famoso da história americana — e, mais de 55 anos depois, sua identidade continua sendo um mistério oficial.

Assassino do Zodíaco
Retrato falado do Assassino do Zodíaco baseado em descrição de testemunhas – Wikipedia

Os crimes: cinco vítimas confirmadas, dois sobreviventes

Os ataques confirmados ocorreram no norte da Califórnia entre dezembro de 1968 e outubro de 1969, abrangendo as regiões de Benicia, Vallejo, Lago Berryessa e São Francisco. O padrão inicial era consistente: jovens casais atacados em locais isolados, à noite.

A primeira vítima confirmada foi o casal David Faraday, 17 anos, e Betty Lou Jensen, 16 anos, baleados e mortos em 20 de dezembro de 1968, numa estrada rural em Benicia. Em 4 de julho de 1969, Darlene Ferrin, 22 anos, foi assassinada num estacionamento em Vallejo. Seu acompanhante, Michael Mageau, sobreviveu a vários tiros.

Em 27 de setembro de 1969, no Lago Berryessa, o assassino mudou de arma: amarrou e esfaqueou o casal Bryan Hartnell, 20 anos, e Cecelia Shepard, 22 anos. Hartnell sobreviveu a oito facadas nas costas. Shepard morreu dois dias depois. Numa audácia raramente vista em casos criminais, o assassino escreveu na porta do carro das vítimas a data dos seus crimes anteriores, com uma caneta.

A última vítima confirmada foi Paul Stine, 29 anos, taxista baleado e morto em 11 de outubro de 1969, no bairro Presidio Heights, em São Francisco. Testemunhas viram o assassino de perto — e depois forneceram descrições à polícia. Dois policiais passaram pelo local momentos após o crime e, por causa de uma confusão na comunicação por rádio, abordaram incorretamente um homem negro, deixando o verdadeiro suspeito escapar.

As cartas: o assassino que queria ser famoso

Em 1º de agosto de 1969, três jornais da Baía de São Francisco — o San Francisco Chronicle, o San Francisco Examiner e o Vallejo Times — receberam simultaneamente envelopes idênticos. Cada um continha uma carta reivindicando os assassinatos e uma parte de um criptograma dividido em três. A instrução era clara: publiquem ou haverá mais mortes.

Os jornais publicaram. O criptograma foi decifrado dias depois por um casal de professores — Doris e Donald Harden. A mensagem dizia que matar as pessoas era ainda mais divertido do que caçar animais selvagens porque o homem é o animal mais perigoso.

Ao longo dos anos seguintes, o assassino enviou mais cartas — algumas com pedaços de roupas de vítimas como prova, outras com novos criptogramas. Suas cartas geralmente começavam com a frase “This is the Zodiac speaking” — “Aqui fala o Zodíaco”. O nome foi autoproclamado pelo próprio criminoso e foi adotado pela imprensa e pelas autoridades.

No total, quatro criptogramas foram enviados. Desses, apenas dois foram decifrados com certeza. O terceiro, conhecido como Z-340 — com 340 caracteres —, resistiu por 51 anos a tentativas de especialistas, agências de inteligência e matemáticos amadores. Foi finalmente decifrado em dezembro de 2020 por uma equipe internacional de três pesquisadores usando algoritmos de busca computacional. A mensagem continha provocações à polícia, mas nenhum dado identificador concreto. O quarto criptograma, o Z-13, de apenas 13 caracteres, permanece sem solução definitiva.

Assassino do Zodíaco, os suspeitos: mais de 2.500 nomes, nenhuma prova

O caso gerou uma das maiores listas de suspeitos da história criminal. Mais de 2.500 nomes já foram levantados ao longo das décadas. Pelo menos meia dúzia foram considerados credíveis por investigadores profissionais. Nenhum foi confirmado.

O suspeito mais frequentemente citado foi Arthur Leigh Allen, professor e ex-marinheiro de Vallejo, Califórnia, que havia sido institucionalizado por pedofilia em 1975. Ele correspondia a descrições físicas de testemunhas, havia feito comentários perturbadores sobre matar pessoas, e usava um relógio da marca Zodiac. A polícia o investigou por anos, realizou buscas em sua casa e pertences. Em 2010, o detetive David Toschi — o principal investigador do caso — afirmou que todas as evidências contra Allen “se revelaram negativas”. Allen morreu em 1992, sem ter sido indiciado.

Em 2021, um grupo de investigadores independentes afirmou que Gary Francis Poste, pintor de casas morto em 2018, era o Zodíaco. As alegações incluíam testemunhos de pessoas que diziam que Poste havia admitido os crimes, e cicatrizes na testa que correspondiam a descrições de testemunhas. A teoria ganhou atenção midiática mas não foi aceita pelas autoridades — o FBI não confirmou a identificação, e o Departamento de Justiça da Califórnia mantém o caso oficialmente aberto.

Assassino do Zodíaco: Por que o caso nunca foi resolvido

A resposta está numa combinação de fatores que beneficiou o criminoso de forma quase perfeita:

Os crimes aconteceram em jurisdições diferentes — Benicia, Vallejo, Napa County e São Francisco — e cada departamento de polícia conduziu sua própria investigação sem coordenação centralizada eficaz. A tecnologia forense de 1968-1969 era primitiva: sem DNA, sem banco de dados de impressões digitais acessível em tempo real, sem câmeras de vigilância. O assassino não deixou padrão geográfico claro nem relação conhecida com as vítimas.

As cartas, paradoxalmente, tornaram a investigação mais difícil em vez de mais fácil: geraram um volume enorme de correspondência falsa de imitadores, desorientando os investigadores e consumindo recursos. E quando os crimes pararam — o último ataque confirmado foi em outubro de 1969 — a investigação perdeu o impulso da urgência.

O caso foi marcado como “inativo” pelo Departamento de Polícia de São Francisco em 2004, mas reaberto em 2007. O Departamento de Justiça da Califórnia mantém o arquivo aberto desde 1969.

O Zodíaco na cultura: do filme ao podcast

O caso inspirou o aclamado filme Zodiac (2007), de David Fincher, estrelado por Jake Gyllenhaal e Robert Downey Jr., baseado nos livros do cartunista Robert Graysmith — que dedicou décadas de sua vida a investigar o caso e apontar Arthur Leigh Allen como principal suspeito. O filme é considerado uma das representações mais precisas factualmente de um caso real no cinema de suspense.

O caso também alimentou gerações de investigadores amadores, podcasts, documentários e comunidades online dedicadas a resolver o que as autoridades não conseguiram. Essa dimensão participativa tornou o Assassino do Zodíaco único: é talvez o único caso criminal em que milhões de pessoas ao redor do mundo continuam ativamente tentando identificar o assassino.

Veja também:

Ed Gein: o Homem que Matou Duas Pessoas — e Inspirou Três dos Maiores Vilões do Cinema

Charles Manson: o Músico Rejeitado que Convenceu Outros a Matar por Ele

A pergunta que permanece

O perfil do FBI, elaborado pelo agente John Douglas — o pioneiro do perfilamento criminal —, descreve o Assassino do Zodíaco como alguém que matava por prazer e por atenção, não por motivo prático. “O Zodíaco não estava apenas matando. Estava se apresentando — para a mídia, para a polícia, para o mundo.”

Essa necessidade de audiência é, paradoxalmente, o que mais dificulta a identificação: o Zodíaco construiu uma persona pública cuidadosamente calculada para revelar tudo sobre sua psicologia e nada sobre sua identidade. Funcionou por mais de meio século.


E você, em qual suspeito acredita — Arthur Leigh Allen, Gary Poste, ou alguém cujo nome nunca foi levantado? Deixe sua teoria nos comentários. O Zodíaco ainda não foi identificado — mas o debate continua.

Se você quer continuar investigando os mistérios que desafiam o tempo e a tecnologia, inscreva-se e siga o Cortes Históricos. A próxima investigação já está sendo apurada.

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *